Histórico
Histórico

Comecei a trabalhar na Umbanda em 1950. Tinha 14 anos e a minha mãe, que era católica, não aceitava que a gente falasse de espiritismo, dizia: "- Nossa Senhora, feitiçaria!" Mas eu tinha uma missão para cumprir. Continuei a ir escondidinho da minha mãe. Sempre da­va um jeitinho de ir na minha mesa bran­ca, tomar um passe, receber a orientação dos mentores...

Por volta dos meus 18 anos, estando na maioridade, pude ir pe­la primeira vez em um terreiro e foi aí que eu consegui saber que se tratava de uma coisa mais séria, que tinha mesmo haver comigo e não dava para dispensar a espiritualidade. Foi em um Templo de Um­­banda chamado Padre José de Alen­car que já nem existe mais.

Aconteceu lá o que acontece com 90% dos centros de Umbanda. Quando os dirigentes desen­carnam dificilmente tem um herdeiro já aceito pelos outros médiuns para que assumir pacificamente os trabalhos.

Então, a maioria desses médiuns, às vezes com vinte, trinta anos de trabalho, abrem suas próprias casas e começam construir toda uma estrutura novamente. Então, particularmente, não sei se melhor seria permanecer a estrutura, ou se é melhor dissolvê-la e cada um começar um novo trabalho renovado.

Por volta de 1975 eu fui apresentado a um Baluarte, Sebastião Campos que dirigia a Federação Espírita de São Paulo. Ele fazia umas reuniões aos domingos lá e eu era convidado. Lá, ele cantava o hino da Federação, eu o aprendi e comecei a cantá-lo, e muitas pessoas ficaram admiradas. Fui chegando devagar na casa, e aí foi começando meu primeiro trabalho. Lá conheci também Olívio Biquete.

Eu gravei a minha primeira música há muito tempo, que falava assim: "Meu pai, caminha com eu agora; Meu pai, caminha com eu agora; Sou filho seu pequenino; Minha missão é tão grande; Valei-me Nossa Senhora; Valei-me Jesus menino".

Essa foi a minha primeira gravação. Certa vez, eu estava numa festividade e a Preta Velha chorou. Eu estava cantando para ela e as lágrimas desciam.

Eu era muito ligado à ma­téria, gostava de um bolero, era cantor de samba, cantor da noite e tal. Mas veio o momento de me desligar de tudo isso. Quando minha Preta Velha desceu e falou que à partir daquele momento estava co­meçando um novo trabalho, parei com tudo e ingressei na escola de Curimba Pai Milton Fernandes.

Um homem mara­vilhoso, muito bom de coração e de espi­ritualidade. Quando ele faleceu, eu fiquei junto com a filha dele fazendo um tra­balho junto com a escola. Foi lá onde eu comecei a ter uma sala para dar aulas de canto e ali eu formei vários alunos.

Na­que­le tempo, só tinha a Escola de Curim­ba Milton Fernandes, nascendo depois a Escola de Curimba Pombinho Branco que era de Demétrios Domingues. Depois co­nheci o Severino Sena que foi meu aluno e de lá nós formamos a Escola de Curimba Élcio de Oxalá.

 
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